sábado, 28 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Por ser menina no Brasil: crescendo entre direitos e violências
Com base em uma pesquisa realizada entre vários estados do Brasil é possível perceber o atraso do país na questão de igualdade de gênero. O Brasil é um país machista e patriarcal que, acima de tudo, deve realizar políticas públicas, projetos de lei, incentivos as instituições escolares para driblar essa realidade.
É preciso se pautar mais nos conceitos que permeiam a questão da sexualidade e direitos humanos no país. Um novo mundo é possível, porém temos de deixar para o novo mundo um novo homem e uma nova mulher como dizia Simone de Beauvoir.
Para saber mais acesse:
http://lab.oficinadeimagens.org.br/?p=4033
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
A história da pobreza
Um documentário da BBC que busca a raízes da pobreza em fases diversas da história humana.
Para assistir ao documentário em Full HD e sem legendas fixas, clique aqui.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Disturbios Raciais nos EUA
11/17 de agosto 1965: Watts - Los Angeles. A detenção
por policiais brancos do jovem negro Marquette Frye, durante uma
operação na estrada provoca uma revolta no gueto de Watts, em Los
Angeles. Durante seis dias, esse bairro da periferia se transforma em
uma zona de guerra, onde os guardas nacionais realizam patrulhas em
jipes, armados com metralhadoras. É declarado toque de recolher. O saldo
é dramático: 34 mortos, muitos feridos, 4.000 detidos e danos estimados
em mais de US$ 40 milhões.
12/17 de julho 1967: Newark - Nova Jersey. Uma briga
entre dois policiais brancos e um taxista negro desencadeia uma revolta
no gueto de Newark. A violência dura cinco dias com um registro de 26
mortos e 1.500 feridos.
23/28 de julho 1967: Detroit - Michigan. Distúrbios
eclodem em Detroit após uma intervenção policial na rua 12, de maioria
negra. Guardas nacionais e militares são mobilizados. Os confrontos
deixam 43 mortos e mais de 2.000 feridos. Os distúrbios se estendem para
vários estados, entre eles Illinois, Carolina do Norte, Tennessee e
Maryland. Ao longo de 1967, 83 pessoas morrem em episódios de violência
racial em 128 cidades.
4/11 de abril 1968: Após o assassinato do pastor
Martin Luther King em Memphis (Tennessee) em 4 de abril, a violência se
espalha por 125 cidades dos Estados Unidos, deixando pelo menos 46
mortos e 2.600 feridos. Em Washington - onde dois terços da população é
negra - são registrados incêndios intencionais e saques. Um dia depois,
as desordens se estendem para o centro da cidade e chegam a 500 metros
da Casa Branca. O presidente Lyndon B. Johnson recorre à 82ª Divisão
Aerotransportada do Exército para controlar a situação.
17/20 de maio 1980: Liberty City - Miami. Três dias de
revolta deixam 18 mortos e mais de 400 feridos no bairro negro de
Liberty City, em Miami (Flórida). A violência eclodiu após a absolvição
em Tampa de quatro policiais brancos acusados de espancar até a morte um
motociclista negro que havia furado um sinal vermelho.
30 de abril/1º de maio 1992: Los Angeles. A absolvição
de quatro policiais brancos que no dia 3 de março de 1992 haviam matado
um motorista negro, Rodney King, incendeia a cidade de Los Angeles. A
violência se propaga para São Francisco, Las Vegas, Atlanta e Nova York,
deixando 59 mortos e 2.328 feridos.
9 de abril 2001: Cincinnati - Ohio. Um policial branco
mata um jovem negro de 19 anos, Timothy Thomas, durante uma perseguição
em Cincinnati. Seguem-se quatro dias de violência durante os quais 70
pessoas ficam feridas. Timothy Thomas, que não estava armado, foi o
décimo quinto negro abatido pela polícia desde 1995.
9/19 agosto 2014: Ferguson - Missouri. A morte do
jovem negro Michael Brown, de 18 anos, baleado por um policial provoca
dez dias de violência em meio à população negra e às forças de
segurança, que utilizam fuzis e veículos blindados. No dia 24 de
novembro, ocorrem novos distúrbios em Ferguson após o anúncio do
abandono das acusações contra o policial.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
A Distribuição de Renda nos EUA (dublado)
A Distribuição de Renda nos EUA (dublado)
(EUA, 6:28 min.)
O neoliberalismo consiste em certas políticas, defendidas pela
imprensa corporativa, como privatizações, Estado mínimo, Bancos Centrais
independentes, corte de gastos públicos, flexibilização das leis
trabalhistas e liberdade para que o mercado dite as regras da economia.
Nos EUA, essas políticas vem sendo implantadas desde os anos 80. De lá
para cá, profundas transformações sociais ocorreram nos EUA: O país que
após a II Guerra era dos melhores lugares para se viver no mundo, onde
um trabalhador médio tinha acesso a uma grande qualidade de vida, hoje
tem uma jornada de trabalho exaustiva e com pouco direitos, com um
salário irrisório.
Ao mesmo tempo, o 1% da população do topo da pirâmide social tornou-se muito mais rica (os 400 americanos mais ricos detém mais renda que 200 milhões de cidadãos estadunidenses) enquanto a vasta maioria ficou mais pobre, muitos abaixo da linha da pobreza.
Ao mesmo tempo, o 1% da população do topo da pirâmide social tornou-se muito mais rica (os 400 americanos mais ricos detém mais renda que 200 milhões de cidadãos estadunidenses) enquanto a vasta maioria ficou mais pobre, muitos abaixo da linha da pobreza.
Esse vídeo faz uma análise dos dados da distribuição de renda atual americana:
- a que os americanos achariam justa
- a que eles acham que existe
- e a que existe de fato.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Homofobia e violência ideológica assustam alunos na UFMS
Queima de acervo de livros no DCE foi o caso mais recente da onda de intolerância.
Queimaram parte da minha vida, disse o professor e cientista social David Victor Emmanuel Tauro.
Foto: Victor Sanches
No dia 10 de maio de 1933, poucos meses depois da chegada de
Hitler ao poder, teve início na Alemanha uma onda de queima de livros em
praça pública. Tudo o que fosse crítico ou desviasse dos padrões
impostos pelo regime nazista foi destruído. Centenas de milhares de
livros foram queimados no auge de uma campanha iniciada pelo diretório
nacional de estudantes nazistas. Era deles a organização das grandes
fogueiras, em uma competição na qual cada agremiação tentava provar que
era mais fiel do que a outra aos ideais nazistas.
Não foi a primeira vez na história que a intolerância despejou seu
ódio sobre a literatura. Nem será a última. Na noite do último sábado,
dia 18 de outubro, o mesmo germe do preconceito voltou a dar as caras.
Desta vez na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), onde um
acervo de algumas centenas de livros doado ao Diretório Central dos
Estudantes (DCE) pelo professor e cientista social David Victor Emmanuel
Tauro foi alvo de um incêndio criminoso.
“Fiquei estarrecido, completamente transtornado, desolado. São tempos
sombrios. Estamos progressivamente caminhando para alguma forma de
totalitarismo. Não podemos aceitar isso. Queima de livros é inaceitável,
especialmente dentro de uma universidade. Temos uma herança histórica
tão dura, mas parece que não temos memória. Estou extremamente
preocupado”, afirmou Tauro.
E ele tem razão em sua preocupação. A queima do acervo do DCE não foi
um episódio isolado de vandalismo. Trata-se de mais uma ação de
agressão ideológica entre as muitas que têm ocorrido na UFMS,
especialmente ligadas à homofobia.
O primeiro caso a romper a cortina do silêncio que ainda impera na
universidade ocorreu em maio de 2013, quando o então professor
substituto do curso de Ciências da Computação (campus de Ponta Porã),
Kleber Kruger, revoltado com a frase “Homo é lindo”, pichada em uma
parede do campus, usou seu perfil no Facebook para atacar homossexuais.
“Hoje cheguei na Federal e encontrei algumas paredes dos cursos de
computação e engenharia pichadas com frases como: ‘O amor homo é
lindo!’, ‘Homosexualismo é lindo!’, ‘Fora machismo!’ ... aaah! se
fuderem seus viados fila da puta!”, disparou Kruger, que chegou a pedir o
fechamento de cursos que, em sua opinião, eram “coloridos” demais. “Aí,
nas paredes daqueles cursos formadores de bichonas tá tudo limpo!
Depois eu falo que tinha que pegar aqueles cursos de gente colorida e
fechar tudo! E saio rotulado como preconceituoso, porque tá na moda
defender homossexualismo”.
Onda de intolerância
O caso ganhou repercussão nacional resultando na exclusão do Facebook
de Kleber e no seu pedido de demissão. Mas a retaliação não foi
suficiente para intimidar o preconceito. Recentemente, uma aluna
transexual do curso de Letras foi violentamente hostilizada no
Restaurante Universitário (RU). Ao tentar registrar a agressão com seu
celular, foi ameaçada. Ela teve que ser escoltada por seguranças da
universidade de volta a sala de aula, enquanto os agressores
permaneceram no RU.
Outros casos têm sido registrados como a pichação de cartazes do
Comitê de Luta pela Creche da UFMS com símbolos nazistas e frases
ofensivas como “parir é uma escolha, se vira para cuidar”. O Comitê de
Autodefesa das Mulheres, que ensina noções básicas de defesa pessoal
para meninas da universidade, também foi alvo de manifestações de ódio,
especialmente na página Segredos UFMS, no Facebook.
“Diante de tudo isso, pensamos que a queima do acervo de livros na sala Dorcelina Folador não foi um ato isolado. Ao nosso olhar a situação é gravíssima”, afirma André Luiz, estudante de Ciências Sociais e membro do CACISO.
O presidente da Comissão de Diversidade Sexual da OAB-MS, e vice-presidente do Conselho Estadual da Diversidade Sexual, Júlio Valcanaia, mostrou-se preocupado com o incidente. “O fato do incêndio criminoso ocorrido na UFMS vem a comprovar o quanto nos espaços públicos, especialmente os educacionais, a hostilidade é praticada contra pessoas LGBT, e mesmo por sujeitos privilegiados pelo acesso à educação e informação. Veja-se que as raízes do preconceito são mais profundas do que as capacidades intelectuais e que devem ser emergencialmente combatidas. Daí a nossa defesa por uma legislação capaz de cumprir um papel social que a mera vivência acadêmica não dá conta de solucionar. Ressalto, ainda, o fato de uma acadêmica transexual ser o objeto inicial desse evento, uma vez que o espaço universitário, como tantos outros na sociedade, não é pensado para ser ocupado por alguém que corajosamente foge aos padrões de gênero estabelecidos pela sociedade. Daí o desconforto desses agressores, inquisitores medievais, que se demonstram inaptos para uma vivência social saudável.”
A estudante de psicologia e membro do DCE, Marina Peralta, diz que a
situação causa medo. “Temos muitos amigos homossexuais que estão
temerosos. Pode haver uma agressão a qualquer momento pelos corredores
da UFMS”, afirma. Para ela, o incêndio criminoso foi um choque para
todos.
Também membro do DCE, a estudante de direito Anna Brites diz que a
sociedade tem que ficar atenta para estes casos de ódio. “Estão
acontecendo com frequência aqui na universidade. Assim como os casos de
homofobia, a queima dos livros foi um sinal de que é hora da sociedade
se manifestar contra o preconceito”.
O jornalista e cientista social Eron Brum alertou para a gravidade da
situação. “Este pessoal me faz lembrar a era das trevas. São bárbaros.
Este tipo de situação é fruto de nossa política onde não há debate de
ideias, apenas tentativas de demolir o adversário, seja com que armas
for”, afirmou.
Para os membros do DCE e do CACISO, a reação da UFMS diante dos casos
de violência tem sido morna. “A Universidade não se manifesta. A
segurança aqui existe apenas para proteger a direção contra
manifestações e ocupações. Os alunos estão à míngua”, afirma André Luiz.
Contatada, a assessoria de imprensa da universidade afirmou que a UFMS
“foi informada sobre o incêndio nas dependências do Diretório Central
dos Estudantes (DCE) e está acompanhado o caso”.
Fonte: Semana On - A informação ligada em você Homofobia e violência ideológica assustam alunos na UFMS | Semana On
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segunda-feira, 20 de outubro de 2014
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
O mercado de notícias, documentário de Jorge Furtado
O mercado de notícias,
documentário de Jorge Furtado, é um filme oportuno e necessário. Poucas
instituições têm sido tão discutidas nos últimos tempos quanto a
imprensa, em suas várias formas: escrita, televisiva, radiofônica. Com o
advento avassalador da internet, não é apenas a sustentação econômica
de jornais, revistas e telenoticiários que está em xeque, mas
principalmente a sua credibilidade – e é nesse nervo que o documentário
vem tocar, com o engenho e a verve habituais de seu diretor.
A invisibilidade das Comunidades Quilombolas de Mato Grosso do Sul
Por Nayhara Almeida de
Sousa
do GERAA
Atualmente o que a
maioria das pessoas entende por comunidade quilombola está muito distante da
realidade. O que é usualmente entendido por comunidade remanescente quilombola se
remete à definição utilizada no período colonial brasileiro, mais exatamente àquela do século XVIII, para a qual quilombo
era “toda a habitação de negros fugidos que passem de cinco, em parte
despovoada ainda que não tenham ranchos levantados nem se achem pilões neles” (MOURA,
1981: p.16). E no estado de Mato Grosso do Sul
não seria diferente, apesar de ter mais de 21 comunidades reconhecidas pela
Fundação Cultural Palmares, ainda não tem avanços significativos na questão de
reconhecimento das comunidades quilombolas como grupos sociais e, portanto, com
direitos.
Com a publicação do
decreto de 4.887/2003 temos a regularização de todo o procedimento que efetiva a titulação das
terras, além de uma redefinição do conceito de comunidade quilombola,
diferenciando-se daquela antiga que era marcada pela colonização, e passando
agora a ser compreendida através da auto determinação dos povos. Conforme o artigo
2º do Decreto,
consideram-se
remanescentes das comunidades dos quilombos, para fins deste Decreto, os grupos
étnico-raciais, seguindo critérios de autoafirmação, com a trajetória histórica
própria, dotados de relações territoriais especificas, com presunção de
ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida
(BRASIL, 2008).
Retomando o histórico
sobre o assunto, em 1988 foi reconhecido pela Constituição Brasileira o direito
de propriedade definitiva das terras ocupadas por remanescentes quilombolas, através
do artigo 68 do Ato das Disposições Transitórias: “Aos remanescentes das
comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a
propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.”
(BRASIL, 2008). O reconhecimento de propriedade das terras quilombolas pela
Constituição de 1988 não foi suficiente para a efetiva regularização desses
territórios, e contestações contrárias às titulações eram fundamentadas na
falta de regulamentação no processo de demarcação e titulação dessas terras.
Mas, foi com a
publicação do decreto 4.887, no dia 20 de novembro de 2003 se estabeleceu a
forma de como proceder à demarcação e titulação do território quilombola. Da
década de 1980 até 2003 se desenrolaram anos de silêncio quanto a este assunto
e, apesar de haver milhares de comunidades espalhadas pelos estados
brasileiros, ainda há a impressão de inexistência ou de distancia das
comunidades, o que remete muitas pessoas à noção de quilombo do período
colonial.
Vários grupos
contrários aos direitos adquiridos pelas comunidades se manifestaram. O partido
Democratas (DEM) ajuizou em 2004 uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) no Supremo Tribunal Federal pela publicação do
decreto 4.887. A ADIn é contrária ao critério de autoatribuição para a
identificação das comunidades remanescentes quilombolas, e o caso ainda aguarda
julgamento.
De acordo com Santos (2010),
o ano de 2007 ficou marcado pelo aumento dos conflitos no estado do Mato Grosso
do Sul entre as comunidades rurais quilombolas e
o Governo do Estado, Sindicato Rural de Dourados; as Prefeituras Municipais de
Nioaque, Dourados e Sonora; grandes proprietários de terras; e a Federação da
Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (FAMASUL). [1]
A partir da definição
ultrapassada sobre o que é uma comunidade remanescente quilombola, criou-se uma
situação constrangedora para o Instituto Histórico Geográfico de Mato Grosso do
Sul (IHG-MS), que reforçou ainda mais a posição contrária ao reconhecimento das
comunidades quilombolas no estado de MS. Em 2008 o então presidente do IHS-MG
Hildebrando Campestrini exalou um parecer negando a existência de qualquer
formação de comunidades quilombolas no estado de Mato Grosso do Sul. O parecer
dizia o seguinte:
Considerando que o sul de Mato Grosso despontou no
cenário econômico brasileiro como área de produção pecuária, após as décadas de
1830/1840, quando a escravidão já se encontrava em processo gradativo de
desarticulação; Considerando que o território hoje sul-mato-grossense se
encontrava fora da rota de fuga dos escravos egressos dos centros econômicos
mais significativos à época do regime escravista (SP, MG e região norte de MT);
Considerando que havia, no último quartel do século XIX, forte empenho de
líderes pela libertação de escravos, a exemplo das Juntas de Emancipação nas
principais vilas e cidades do sul de Mato Grosso, com resultados positivos;
Considerando que, sobretudo após a Guerra da Tríplice Aliança, o número de
escravos no sul de Mato Grosso era de reduzido significado; Considerando que
não há documentos, nem ao menos indícios, que provem a existência, no atual
Mato Grosso do Sul, de quilombos, mesmo que tardios. Manifestam-se, por
unanimidade, no sentido de não reconhecer a presença de quaisquer núcleos
quilombolas remanescentes em nosso Estado. Campo Grande, 10 de setembro de 2008.
Hildebrando Campestrini – Presidente (SANTOS, 2010: p.20).
Como
é perceptível no Parecer Quilombola do IGH-MS, a visão sobre as comunidades
está presa em um passado colonial, como algo exótico, perdido e afastado da
noção de cidadão brasileiro. O parecer ganhou destaque na mídia local e teve
ampla recepção pelos produtores agropecuários, sendo largamente difundido pela
FAMASUL através da circular nº 041/2009, ao Secretário da Secretaria de Estado
de Meio Ambiente, das Cidades, do Planejamento, da Ciência e Tecnologia/SEMAC. Em
seu ofício a FAMASUL afirma a não existência de remanescentes quilombolas no
Mato Grosso do Sul.
O
Parecer Quilombola produzido pelo IHG-MS encara comunidades remanescentes como
aquele conceito da época imperial e deixa de perceber como bem lembra Amaral
Filho (2011) que os remanescentes de quilombolas surgem recriando um processo
identitário e não o repetindo. Recriando seus laços com a África, “eles passam
a se comportar no Pós-Colonial diaspórico como um grupo multicultural miscigenado
diferente de sua noção clássica” (AMARAL FILHO, 2011).
A
colonização, apesar de um processo extinto oficialmente, permanece enraizada
nos dias atuais, como fator excludente e marginalizador de determinados grupos
sociais. No caso de Mato Grosso do Sul, essa situação é facilmente identificada
quando se trata da garantia de direitos das populações indígenas e comunidades
quilombolas.
No
discurso da mestiçagem, baseado na ideia de um Brasil mestiço, onde o moreno é
o termo ideal de representação da população afro-brasileira, o termo negro deixa
de ser mencionado de forma positiva pela sociedade brasileira, pois a ideia mitológica
de democracia racial encontra suas bases no moreno. A troca de um termo por
outro não significou um tratamento respeitoso para a população negra, sua
história e suas memórias, e não resultou numa equidade nas oportunidades entre
todos no Brasil. Antes disso, a criação de um discurso de democracia racial
“contribuiu” para que se afundasse no silenciamento o racismo vivenciado no
Brasil, fortalecendo um discurso hipócrita e controverso.
É
importante entender porque é tão popular a utilização do termo moreno, quando
se refere à população afro-brasileira.
Uma breve análise na história de formação da identidade nacional, (ORTIZ,
2003) é possível perceber como foi a movimentação dos grandes intelectuais e
dirigentes nacionais para a formulação de teorias e projetos sobre um modelo
nação brasileira. Este modelo de nação era pensado para o futuro, um futuro que
através da miscigenação racial, se tornaria branco.
Mato
Grosso do Sul não fugiu aos moldes nacionais quanto à formação de uma identidade
regional baseada na falsa ideia de democracia racial e de branquidade. Este
modelo foi refletindo diretamente na invisibilidade dos remanescentes
quilombolas do Estado. Um exemplo, Campo Grande, que é conhecida como a cidade
morena, não possui menção alguma sobre a vida de camponeses e nem de
escravizados, em nenhum dos seus 14 museus (Santos, 2010: p. 31).
Não é possível que atualmente, dirigentes e
intelectuais ainda expressem noções sobre o que é ser remanescente quilombola
baseados em conceituações cristalizadas em um passado colonial. A ideia sobre ser
quilombola hoje ultrapassa a noção colonial e se aproxima muito mais de uma
ressignificação do caráter multicultural do quilombo surgido no território africano,
mas muito diferente da conceituação de quilombo feita pelo colonizador. E ainda,
não é possível permitir, que ideias como a do Parecer Quilombola, após a
criminalização do racismo em 1988, sejam formas de propagação de racismo sutil
através da negação da existência de comunidades quilombolas no estado.
A
afirmação do Parecer demonstra muito dos aspectos da invisibilidade social e
econômica da população negra brasileira. A população quilombola faz uso de
terras reconhecidas como patrimônio histórico pelo Estado Brasileiro, compartilhando
valores comuns, parentesco, práticas culturais. Devemos ultrapassar esse
entendimento vindo do período colonial que prejudica a existência e garantia de
direitos civis, econômicos, sociais e culturais
das comunidades remanescentes quilombolas no Brasil.
Referências
Bibliográficas
AMARAL
FILHO, N. C. Mídia e Quilombos na Amazônia. Relações Raciais no Brasil:
pesquisas contemporâneas. Org. Valter Roberto Silvério, Regina Pahim Pinto,
Fúlvia Rosemberg. São Paulo: Contexto, 2011.
SANTOS,
C. A. B. P dos. Fiéis descendentes redes-irmandades no pós-abolição entre as
comunidades negras rurais sul-mato-grossenses. Tese de Doutorado em
Antropologia Social. UNB, Brasília, 2010.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Campo Grande recebe, entre os dias 15 e 18 de outubro, o 1° Festival Internacional de Violão com a presença de violonistas de renome nacional e internacional. Este é um dos mais importantes eventos ligados ao violão clássico neste ano no Brasil.
Os concertos serão realizados no Teatro Prosa do SESC Horto, entre às 13h e às 20h, e a entrada é franca. Além
dos concertos, o evento trará as masterclasses (aulas públicas de
interpretação) com os principais expoentes do instrumento no país. O
festival é realizado pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).
Com
um trabalho referencial de violão na América Latina, o Duo
Orellana-Orlandini também está confirmado no festival. O concertista e
professor da USP (Universidade de São Paulo), Edelton Gloeden, um dos
mais importantes músicos em atividade no cenário brasileiro, e o
especialista em instrumentos antigos (séc. XVI a XIX), o professor
Marcos Pablo Dalmacio estão incluídos na lista de apresentações.
O Maestro Eduardo Martinelli se apresenta no evento como camerista, assim como a soprano Adélia Issa, que será acompanhada pelo professor e doutor Marcelo Fernandes da UFMS.
Violonistas
regionais como Laís Fujiyama, Vinicius Hipolito, Hudson Campos, Luiz
César Gonzaga; Stéfani Godoy, Joel Mendes e o duo Souza-Machado e
Anerson Francelino também se apresentam no evento.
A abertura do festival está programada para o dia 14, na UFMS. O teatro Prosa fica na Rua Anhanduí, 200, no centro.
Programação/ Abertura
-14/10 (16h) - MaterclassOrelllanaOrlandini no Curso de Música da UFMS - em frente ao Teatro Morenão.
Programação / SESC Horto
15/10 - (13h) recital do duo Souza-Machado
- (14h30) Masterclass com Marcos Pablo Dalmacio
- (20h) Concerto de abertura com o duo de violões Orelllana Orlandini (Chile);
16/10 - (13h) recital de Hudson Souza e Vinicius Hipólito
- (14h30) Masterclass com Eduardo Martinelli
- (17h) Mesa redonda
- (20h) Concerto com Edelton Gloeden e Marcelo Fernandes;
17/10 - (13h) recital com Luis Cesar Gonzaga e Stéfani Godoy
- (14h30) Masterclass com Edelton Gloeden
- (17h) Ensaio da Camerata de violões do festival
- (20h) Concerto de música antiga com Adélia Issa, Eduardo Martinelli, Marcos Pablo Dalmacio e convidados;
18/10 - (13h) recital dos alunos da UFMS
(14h) Recital dos Alunos do Festival.
(20h) Música e poesia em parceria com a UBE.
Fonte: http://www.sescms.com.br
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Conceito: wikipedia, wikicionario, softwarelivre
WIKIPÉDIA
Wikipédia é um projeto de
enciclopédia multilíngue de licença livre, baseado na web, escrito de maneira
colaborativa e que encontra-se atualmente sob administração da Fundação
Wikimedia, uma organização sem fins lucrativos cuja missão é "empoderar e
engajar pessoas pelo mundo para coletar e desenvolver conteúdo educacional sob
uma licença livre ou no domínio público, e para disseminá-lo efetivamente e
globalmente.
Integrando um dos vários
projetos mantidos pela Wikimedia, os mais de 30 milhões de artigos (845 367 em
português em 10 de outubro de 2014) hoje encontrados na Wikipédia foram
escritos de forma conjunta por diversos voluntários ao redor do mundo; e quase
todos os verbetes presentes no site podem igualmente ser editados por qualquer
pessoa com acesso à internet e ao sítio eletrônico http://www.wikipedia.org.
Em outubro de 2013, havia
edições ativas da Wikipédia em 277 idiomas. A Wikipédia foi lançada em 15 de
janeiro de 2001 por Jimmy Wales e Larry Sanger12 e tornou-se a maior e mais
popular obra de referência geral na Internet,13 14 15 16 sendo classificado em
torno da sétima posição entre todos os websites do Alexa e tendo cerca de 365
milhões de leitores.13 17 A Wikipédia é uma ferramenta de pesquisa amplamente
utilizada por estudantes e tem influenciado o trabalho de publicitários,
pedagogos, sociólogos e jornalistas, que usam seu material mesmo que nem sempre
citem suas fontes.
WIKICIONÁRIO
Trata-se de um projeto
colaborativo para produzir um dicionário poliglota livre em português, com
significados, etimologias e pronúncia. Iniciamos o projeto em 3 de Maio de 2004
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salvar qualquer definição; não é necessário identificar-se. Mais informações
sobre o projeto estão disponíveis no Portal comunitário.
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